O carnaval e a cristandade
A disparidade de opiniões a respeito da origem do carnaval é tão grande que seria ocioso numerá-las. Entretanto, como pode servir de lição e como é bem documentado, vale a pena mostrar o modo como ele e o cristianismo passaram a conviver.
Logo no início de sua existência, a Igreja sofreu acusações de fraude. A primeira delas está na própria Bíblia, que registra o suborno recebido pelos guardas para dizer, que, enquanto dormiam, os discípulos de Jesus roubaram seu corpo. Não é difícil perceber que a melhor maneira de rebater tais acusações foi celebrar essas datas históricas. Em Atos 20.16 e em 1Co 16.8, vemos Paulo tomando o dia de pentecostes como uma data conhecida o suficiente para marcar eventos antes e depois dela. Isso deve ser visto por nós hoje com mais atenção uma vez que naqueles dias não se dispunha de calendários com facilidade.
Com a expansão do cristianismo, já religião oficial, muitos povos eram coagidos pela força a “se converterem”. Só que, como era uma conversão nominal, eles traziam muitas crenças e práticas pagãs que influenciaram em muito as crenças e práticas cristãs. O carnaval foi uma dessas práticas.
Como os Evangelhos dão especial destaque a última semana de Cristo, ela passou a ser observada com mais atenção ao ponto de ser chamada de Semana Santa. E, inicialmente, os 40 dias que precedem a páscoa eram vistos como uma preparação para melhor se entender o sacrifício de Cristo.
Não demorou muito para que se criasse uma série de ritos e práticas que visavam a facilitar - pelo menos essa era a razão alegada - uma preparação adequada do cristão. Entre tais práticas estava um jejum. Na maioria dos lugares era apenas um jejum daquelas coisas que se poderia passar sem elas. Alguns limitavam-se a comer pão e beber apenas água e outros iam até o consumo de peixes. A carne era proibida.
Ora, os que eram coagidos a tais práticas, começaram a “se despedir” dos dias normais com grandes festas (que coincidiram com festejos de outros povos), nas quais os excessos eram tolerados e perdoados com a confissão em cinzas no dia imediatamente anterior ao período de jejum. Por essa razão, até hoje, a quarta-feira de cinzas é o dia do católico romano se confessar e receber uma marca feita com as cinzas dos ramos que foram usados no domingo de ramos do ano anterior.
Obviamente, esses excessos, para os quais se fazia vistas grossas, deviam ter sido imediatamente combatidos. Creio que uma alusão a este combate pode ser vista em Romanos 13.13 (Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias ... ). Observe a c
ondenação explícita de orgias. O texto se refere ao que era conhecido por ‘komos’, que era exatamente uma parada carnavalesca em homenagem a Baco (também chamado Dionísio), onde todos os excessos estavam presentes.
Talvez possamos dizer que a intenção inicial foi até boa. Entretanto nenhum de nós negará o quanto ela foi desvirtuada. Desvirtuada ao ponto de ser irreconhecível.
O carnaval deve servir de aviso a todos nós: quando uma prática ou um rito perde seu sentido e passa a ser observado mecanicamente (ou pior: forçadamente), terá o mesmo fim.
Há muitos anos os protestantes brasileiros “acampam” durante o período de carnaval. Muitos fogem das confusões da festa nos grandes centros, outros procuram um momento de reflexão sobre a vida cristã. Não deixemos que esses propósitos sejam desvirtuados.
Logo no início de sua existência, a Igreja sofreu acusações de fraude. A primeira delas está na própria Bíblia, que registra o suborno recebido pelos guardas para dizer, que, enquanto dormiam, os discípulos de Jesus roubaram seu corpo. Não é difícil perceber que a melhor maneira de rebater tais acusações foi celebrar essas datas históricas. Em Atos 20.16 e em 1Co 16.8, vemos Paulo tomando o dia de pentecostes como uma data conhecida o suficiente para marcar eventos antes e depois dela. Isso deve ser visto por nós hoje com mais atenção uma vez que naqueles dias não se dispunha de calendários com facilidade.
Com a expansão do cristianismo, já religião oficial, muitos povos eram coagidos pela força a “se converterem”. Só que, como era uma conversão nominal, eles traziam muitas crenças e práticas pagãs que influenciaram em muito as crenças e práticas cristãs. O carnaval foi uma dessas práticas.
Como os Evangelhos dão especial destaque a última semana de Cristo, ela passou a ser observada com mais atenção ao ponto de ser chamada de Semana Santa. E, inicialmente, os 40 dias que precedem a páscoa eram vistos como uma preparação para melhor se entender o sacrifício de Cristo.
Não demorou muito para que se criasse uma série de ritos e práticas que visavam a facilitar - pelo menos essa era a razão alegada - uma preparação adequada do cristão. Entre tais práticas estava um jejum. Na maioria dos lugares era apenas um jejum daquelas coisas que se poderia passar sem elas. Alguns limitavam-se a comer pão e beber apenas água e outros iam até o consumo de peixes. A carne era proibida.
Ora, os que eram coagidos a tais práticas, começaram a “se despedir” dos dias normais com grandes festas (que coincidiram com festejos de outros povos), nas quais os excessos eram tolerados e perdoados com a confissão em cinzas no dia imediatamente anterior ao período de jejum. Por essa razão, até hoje, a quarta-feira de cinzas é o dia do católico romano se confessar e receber uma marca feita com as cinzas dos ramos que foram usados no domingo de ramos do ano anterior.
Obviamente, esses excessos, para os quais se fazia vistas grossas, deviam ter sido imediatamente combatidos. Creio que uma alusão a este combate pode ser vista em Romanos 13.13 (Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias ... ). Observe a c
ondenação explícita de orgias. O texto se refere ao que era conhecido por ‘komos’, que era exatamente uma parada carnavalesca em homenagem a Baco (também chamado Dionísio), onde todos os excessos estavam presentes.
Talvez possamos dizer que a intenção inicial foi até boa. Entretanto nenhum de nós negará o quanto ela foi desvirtuada. Desvirtuada ao ponto de ser irreconhecível.
O carnaval deve servir de aviso a todos nós: quando uma prática ou um rito perde seu sentido e passa a ser observado mecanicamente (ou pior: forçadamente), terá o mesmo fim.
Há muitos anos os protestantes brasileiros “acampam” durante o período de carnaval. Muitos fogem das confusões da festa nos grandes centros, outros procuram um momento de reflexão sobre a vida cristã. Não deixemos que esses propósitos sejam desvirtuados.
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